Mortes de políticos reacende debate na região

Alguns políticos mortos na região na última década

A morte do prefeito de Breu Branco, Diego Kolling, na última terça-feira (16), acendeu o alerta das autoridades sobre a freqüência dos casos de mortes de políticos e a impunidade que acompanha esse legado.

 

O Pará e especificamente a região sul e sudeste do estado tem criado um triste legado em sua história política. A morte do prefeito de Breu Branco, Diego Kolling, na última terça-feira (16), acendeu o alerta das autoridades sobre a freqüência dos casos de mortes de políticos e a impunidade que acompanha esse legado. A pistolagem já não é de hoje, mas tem se tornado freqüente nesta década.

As características do crime são semelhantes e a impunidade é a máxima entre os casos registrados nos municípios de Goianésia, Rio Maria, Brejo Grande, Breu Branco, Canaã, Água Azul, Tucumã e Parauapebas. Na região sul e sudeste paraense foram registrados 5 mortes violentas contra políticos em 2016 e 2017.

Diante da violência extrema, a segurança ineficaz do estado não é suficiente para preservar a vida dos governantes e da população, deste modo, a maioria dos crimes continua impune e sem esclarecimentos. Em janeiro de 2016, o prefeito de Goianésia do Pará, sudeste do estado, João Gomes da Silva (PR), 62 anos, conhecido como “Russo”, foi morto a tiros, enquanto estava dentro de um velório no centro da cidade no momento do crime. Um mês a morte de Russo, no mesmo município o vereador José Ernesto da Silva Branco (PHS), foi morto também com disparos de arma de fogo.

Em abril deste ano, duas balas acertaram o peito e três atingiram a cabeça do vereador Paulo Chaves Marinho (PSB), do município de Rio Maria, no sudeste do Pará, que morreu no local. No dia 20 de março deste ano, bandidos invadiram o Hospital Geral de Parauapebas e executaram Waldomiro Costa, assessor do gabinete do prefeito, Darci José Lermen, filiado ao PT e militante do MST na região.

Outros dois crimes marcaram o município de Água Azul do Norte. Em março de 2014, quando Advilson Rodrigues de Sousa, chefe da Secretaria de Tributos do município, foi executado com vários tiros e em fevereiro de 2011, o vice-prefeito, Osvaldo Rogério da Silva, o Boca Rica, já havia assassinado a tiros de revólver.

Da esquerda para direita: Diego Alemão, prefeito de Breu Branco; Osvaldo Boca Rica, vice-prefeito de Água Azul do Norte, José Eernesto, vereador de Goianésia; Russo, prefeito de Goianésia; Paulão Chefia, vereador de Rio Maria. Políticos mortos nesta década.

IMPUNIDADE

Entre os casos levantados, apenas 14% dos crimes foram elucidados e tiveram os acusados presos. A reportagem procurou a assessoria do secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), para saber como andam as investigações dos crimes, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

Segundo o Prefeito do Município de São Domingos do Araguaia e Presidente da Associação dos Municípios do Araguaia, Tocantins, Carajás (Amat), Pedro Patrício de Medeiros, o Pedro Paraná (PPS), todas as associações devem se mobilizar para que estes casos sejam elucidados. “Desde a morte do prefeito de Goianésia nunca se conseguiu nada até hoje e isso vai ficando no esquecimento. Então nós temos que nos unir para ver o que realmente está acontecendo por trás disso. Hoje as pessoas até tem medo de ser candidato”, afirmou Pedro Patrício.

“Nós temos que nos unir para ver o que realmente está acontecendo por trás disso. Hoje as pessoas até tem medo de ser candidato” – Prefeito de São Domingos, Pedro Paraná

Comentários

Comentários